Análise do uso de Inteligência Artificial por empresas brasileiras

Fazer uma análise do uso de Inteligência Artificial (AI – Artificial Intelligence), na sigla em inglês, ou Inteligência Artificial, em …

Fazer uma análise do uso de Inteligência Artificial (AI – Artificial Intelligence), na sigla em inglês, ou Inteligência Artificial, em português) por empresas brasileiras requer, primeiramente, uma boa noção do que esse conceito abrange – afinal, tem muita gente por aí dizendo que faz AI quando, na verdade, seus produtos e serviços são frutos de pura programação.

Uma coisa complementa a outra, é verdade, mas a grande diferença mora nos detalhes: Inteligência Artificial é um ramo da ciência da computação que não só permite o acesso de alguém a algo através da programação mas, também, simula, durante o processo, a capacidade humana de resolver uma requisição ou problema.

Então, sim, a AI empregada em um projeto vai simular um raciocínio ou uma percepção humana que seja capaz de fazer com que uma máquina, um código ou um programa específico seja capaz de tomar decisões baseada não em dados, mas em inteligência.

Vendo por esse lado, concluímos que são poucas as empresas brasileiras que já iniciaram-se no ramo da AI de maneira interessante. Entre elas estão majoritariamente startups, como o site Wedy, que ajuda noivos a organizarem seus eventos através do uso de inteligência artificial, e o software Dataholics, que faz análise de risco de crédito e segmentação para marketing.

Em 2017, algumas empresas se juntaram para criar a Abria (Associação Brasileira de Inteligência Artificial), a primeira desse segmento de mercado. Isso significa que o assunto já faz parte da realidade das empresas brasileiras que trabalham com tecnologia, mas ainda há muito a se fazer para que a Inteligência Artificial seja, realmente, um fenômeno por aqui.

Passos de formiga em AI

Em 2017 a empresa de consultoria Accenture fez um estudo global sobre o uso da inteligência artificial por empresas de diversos segmentos e chegou à conclusão de que, no Brasil, o caminho para a excelência dessa utilização nas soluções do dia a dia ainda há de ser longo.

Ainda que não seja uma promessa de futuro, e sim algo real e palpável no presente, muitos empresários ainda não notaram o potencial da AI para a melhoria dos negócios como um todo e, principalmente, na interação entre a empresa e seus públicos.

Para Marcel Jientara, CEO da Nexus Edge, desenvolver soluções de AI especificamente no Brasil demanda grandes desafios: “O idioma local e a ausência de cultura de investimento em pesquisa e desenvolvimento. Como no Brasil o desenvolvimento tecnológico é voltado para aplicações superficiais, o é preciso realizar investimento apropriado em P&D para alcançar um resultado apropriado em língua portuguesa, que possui menos materiais disponíveis de AI do que em inglês.”

Essa questão é visível no Brasil, onde o estudo da Accenture apontou que 56% das empresas brasileiras são apenas observadoras no quesito de Inteligência Artificial; ou seja, estão apenas esperando pra ver o que acontece. O problema é que esse é um erro estratégico, já que é bem provável que as melhorias da AI para alguns setores poderia significar a retomada da economia, já que a inteligência artificial pode ser uma forma de aumentar a produtividade sem aumentar os custos com pessoal qualificado. Nessa seara, os chatbots são um bom exemplo do que estamos falando.

Como desenvolver AI para empresas

Há duas formas básicas de trabalhar a Inteligência Artificial dentro de produtos e serviços: a primeira é desenvolvendo essa inteligência in house e a segunda é buscando ecossistemas de startups e fábricas de software para ajudar no processo de criação e implementação da AI dentro de um sistema já existente.

Seja como for, não dá para esperar até a próxima onda ou bolha para começar a pensar sobre o desenvolvimento de AI dentro da realidade de uma empresa, já que ela traz resultados positivos aqui e agora, e não mais no futuro distante.

O desenvolvimento de uma inteligência artificial requer um bom investimento inicial, principalmente em pessoas, já que é preciso contratar os melhores desenvolvedores para a criação de uma linha de raciocínio artificial e plausível para as máquinas. O desafio no cenário brasileiro é ainda maior que em países de primeiro mundo, considerando que ainda há pouca mão de obra qualificada no país no desenvolvimento de projetos nessa tecnologia.

A tendência para os próximos meses e anos é que a AI consiga desempenhar tarefas dentro de iniciativas como o varejo (tirando pedidos de vendas, enviando solicitações de estoque, entre outras), que trabalhem com redes neurais (para a correta análise de uma série de materiais, como vídeos e traduções) e, claro, para a automação de processos, deixando nas “mãos” da inteligência artificial trabalhos que têm alto índice de erro humano, como o fechamento de um balanço empresarial ou o atendimento de telemarketing.

“Como futuro de AI para indústrias B2B, vejo um forte crescimento em aplicações nas áreas de produtividade, gestão de times e execução criativa de micro-tasks, que forçará as organizações, especialmente as maiores, a reverem o seu modelo de gestão, e tornará a AI um membro da equipe e não apenas uma ferramenta.”, prevê Jientara.

Isso tudo, resumido, significa que o futuro da AI no Brasil pode ser promissor e altamente relevante, visto que temos campo empresarial para desenvolver boas iniciativas com inteligência artificial. Mas essa realidade só será possível se pararmos de observar e começarmos a agir, sem medo do que nos aguarda.

Afinal, se tem algo que a Inteligência Artificial tem se provado nos últimos anos é ser um bom investimento, mesmo que apenas para “pegar experiência”.

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